quarta-feira, 27 de setembro de 2017

OFICINAS DO XVI CARURU DE IBEJI E AS PEDAGOGINGAS


As oficinas desenvolvidas durante o XVI Caruru de Ibeji e as Pedagogingas, como de costume, trazem diluídos nas mais diversas linguagens - música, dança, literatura - os saberes de Áfrika e da diáspora. São atividades de intensa interação entre os participantes, trocas de conhecimentos, espaço de reconhecimento e de exercício prático do legado artístico-cultural do povo preto, sob mediação dos protagonistas dessa história. Saiba um pouco sobre as oficinas que irão acontecer nessa 16ª edição do evento: 


RAP - YOGI N'KRUMAH
Yogi N’Krumah (Lauro de Freitas- BA) é militante do movimento hip hop desde 1993, atuando em grupos musicais de RAP e desenvolvendo projetos educativos em escolas públicas através desse gênero musical, também dirigiu em duas rádios comunitárias o programa Impacto Hip Hop. Atualmente o rapper integra o grupo Fúria Consciente, fundado por ele em 1998. A oficina incluirá um bate papo sobre RAP abordando questões como histórico, inserção no movimento hip hop, a influência de outros ritmos musicais, a oralidade, além de discutir problemas sociais e raciais sofridos pelas comunidades negras e a importância do RAP como instrumento de luta no combate à opressão. Também trará noções importantes para a escrita no RAP, como composição e versos, dinâmica e sincronismo, dicção, além do exercício prático da escrita musical e dicas de hábitos saudáveis para a voz. 
Vagas: 20 
Carga Horária: 08 horas  


DANÇA AFRO - GISELE SOARES

Gisele Soares (Salvador- BA), coroada Deusa do Ébano 2017 do bloco afro Ilê Aiyê, é professora de dança, agente cultural, diretora geral do conjunto de pesquisa e
desenvolvimento da arte negra Pretan'ça, mentora do Bazar da Deusa, e coordenadora do projeto cultural Negatas. Mãe da pequena Ayomí Zuhri, Gisele vê a dança como um dos maiores e mais profundos atos de libertação.
Na oficina de dança afro ela propõe uma busca ancestral dos descendentes de reis e rainhas afrikanos, buscando aproximar essa ancestralidade através do corpo em movimento, desde crianças à idosos. Para esse trabalho de dança, traz referências dos blocos afros de Salvador - inspirada no mais belo dos belos, Ilê Aiyê- e também algumas noções do ballet clássico, unindo força, autenticidade, e ao mesmo tempo a leveza e delicadeza que toda Rainha trás consigo.
Faixa etária: livre



ESCRITA CRIATIVA - SLAM DAS MINAS

Slam das Minas/BA - poesia feminina, preta e periférica - é um coletivo de jovens mulheres pretas de Salvador (Dricca Silva, Fabiana Lima, Jaqueline Nascimento e Ludmila Laísa) que utilizam a poesia marginal como arma para visibilizar as mazelas que atingem as mulheres pretas, resgatar e disseminar a história do povo preto e impulsionar o protagonismo feminino. As artistas de rua e poetas, em suas apresentações denunciam violências como racismo, machismo, sexismo e lgbtfobia, além de ter como principais características a expressividade corporal e linguagem de fácil entendimento do público em geral. Na oficina de escrita criativa  será oferecida a possibilidade de conhecer aspectos técnicos da poesia e colocá-los em prática por meio da produção de textos, percebendo a presença da literatura e da poesia no cotidiano, refletindo sobre o protagonismo de nossas próprias histórias e exercitando a transferência dos sentimentos para o papel. Com isso pretende-se estimular nos jovens a criatividade e o gosto pela escrita, e também provocar reconhecimento das identidades e promover auto-estima. 
Faixa etária: de 10 à 15 anos 


POPPING (HIP HOP) – LUCAS LEMOS
Atualmente cursando Educação Profissional Técnico de Nível Médio em Dança pela FUNCEB, Lucas Lemos é dançarino de Funkstyles e estudante de danças de rua desde 2006, também é ativista multiplicador da cultura hip hop como membro de coletivos e realizador de eventos culturais em SP. 
A oficina trará uma perspectiva das danças urbanas que procura ajudar no desenvolvimento do participante como indivíduo coreopolíticamente inserido nesta sociedade. A aula procura ampliar a consciência corporal e possibilitar autoconhecimento através dos diversos estilos de dança dos anos 70 que vem se desenvolvendo até os dias de hoje. Os Funkstyles, sendo o Popping apenas uma das danças, inclui-se na Cultura Hip Hop que tem como base a paz, o amor, a união, a diversão e o respeito, objetivando a interação, empoderamento e reconhecimento das identidades onde ela é feita.
Faixa etária: 10 anos de idade até 60.

EXPLORAÇÃO PARA O MOVIMENTO – CLAUDIA VEGA 
De nacionalidade chilena, Bacharel em Artes na Universidad Academia de Humanismo Cristiano, Cláudia Vega é dançarina há 13 anos com formação profissional em Técnica Acadêmica, Moderna e Contemporânea. Ela viajou o Chile em projetos sociais itinerantes em torno das danças nas áreas rurais, como em
Santiago (capital), na criação de escolas comunitárias gratuitas, também atua como intérprete em companhias e grupos de dança. 
O aula busca gerar as ferramentas da auto-descoberta como no coletivo do espaço e do corpo, usando as várias possibilidades de energias que podemos entregar ao corpo, bem como as dimensões espaciais que podemos descobrir a nossa volta. A ênfase dessa aula é permitir uma maior segurança e compreensão do corpo dos participantes, de modo que sua qualidade de vida seja afetada de forma positiva e saudável, que por sua vez, a compreensão do espaço social facilita para que possamos melhor nos dispor coletivamente. Serão usados os princípios da Coreutica e da Eukinetica, provenientes da Dança Moderna, treinamento somático em biomecânica e princípios contemporâneos, e estudo teórico da psicologia do corpo, em torno do corpo brasileiro e da diáspora africana.

PERNA DE PAU - JÓ
Dando seguimento às práticas de arte circense infanto-juvenil da Casa do Boneco, mas também aberto ao público adulto, a oficina de perna-de-pau busca abordar essa técnica muito utilizada pela arte milenar do circo, e que hoje se ramifica em várias funcionalidades, desde a utilização midiática, como em manifestações culturais, desfiles e cortejos. A Casa do Boneco tem mais de 15 anos de experiência com prática de artes circenses, que também serão abordadas e discutidas na aula. A instituição dispõe dos equipamentos necessários para a realização da oficina, com pernas de pau construídas com material resistente, leve e confortável. Recomendamos que as participantes venham com roupas confortáveis e propícias à essa prática, como shorts e calça legging. 




ENCOURAMENTO E AFINAÇÃO DE TAMBORES - HUGO XOROQUÊ
O tambor é um instrumento musical de grande importância cultural para os povos africanos e seus descendentes em diáspora, elemento presente nas mais diversas celebrações, ritualísticas, além de ser o princípio da comunicação. Vindo do berço africano, esse instrumento hoje encontra-se presente em todos os continentes em suas variadas culturas, sendo assim um objeto reconhecido universalmente.
O objetivo desta oficina é ensinar aos participantes como encourar e afinar tambores, segundo os princípios africanos de amarração utilizando materiais de baixo impacto ambiental, bem como o manuseio das ferramentas e técnicas ancestrais. Hugo Xoroquê é percussionista e construtor de tambores, adquiriu saberes compartilhados dos mestres e mais velhos ao longo da sua vivência na Casa do Boneco, praticadas e aprimoradas ao longo de toda sua vida, hoje é fundador da marca Oraniã- instrumentos percussivos bioartesanais. 


COUPÉ DECALÉ - KETY KIM
Coupé Décalé é uma dança urbana africana, nascida do intercâmbio da diáspora marfinesa em Paris e na própria Costa do Marfim, por volta dos anos 2000. Além de raízes no Zouk e no Zouglon, tem muita percussão, arranjos milimétricos de guitarras dedilhadas e graves profundos. Coupé Décalé traduzido para o português significa o corte do ritmo, pois trabalha com a percepção corporal do tempo da música através de movimentos rápidos e precisos, onde há o "corte do ritmo", melhora a mobilidade física, trabalha respiração, aumenta flexibilidade corporal, desenvolve coordenação motora e flexibilidade, além de aflorar os conhecimentos em ritmos africanos. 
Kety Kim (Salvador), é pesquisadora há 10 anos em danças do oeste africano, e em 2011 realizou uma expedição de 1 ano entre o Senegal e Guiné Conacri estudando danças e ritmos tradicionais e modernos, desde então compartilha seus conhecimentos na Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. A oficina mescla o Coupé Décalé com músicas de ritmos brasileiros análogos, como as guitarras baianas, por se tratar de uma dança a princípio simples e contagiante,é para todos os biotipos corporais e para todas as idades, inclusive crianças, idosos e pessoas com dificuldades motoras.Ninguém vai conseguir ficar parado/a!

CONFECÇÃO DE BONECOS - JUSCELY MAGALHÃES
 O mamulengo é uma modalidade de teatro de bonecos de origem popular que nasceu no estado de Pernambuco e, depois espalhou-se pela região norte e nordeste do Brasil.O teatro popular apresenta personagens inspirados na cultura do povo. O mamulengo envolve várias técnicas do teatro de bonecos: bonecos de luva,de fio, de vara, e misto fios e varas, podendo ser confeccionado com diversos materiais como cabaça, papel machê, papietá, espuma dentre outros. Nesta oficina estaremos trabalhando com material reciclado utilizando a técnica de luva, onde a manipulação é feita de baixo para cima. A ação dramática do mamulengo é feita através de pequenas peças, acompanhadas e entremeadas de muita música, dança e improviso. O objetivo dessa oficina é levar os participantes à prática das artes plásticas, reciclando materiais na confecção dos bonecos, bem como da ação cênica, finalizando com a apresentação de uma pequena peça produzida pelos participantes. Juscely Magalhães é arte-educadora, produtora cultural e membro co-fundadora da Casa do Boneco de Itacaré.