domingo, 5 de julho de 2015

Um pouco da Guiné-Bissau no Ilê D'Erê


A Casa do Boneco de Itacaré promoveu no último sábado (04/07/15) o Canjerê Cultural Ajeum Ajeumbó, evento com a finalidade de expor e compartilhar de aprendizados, vivências e produtos resultantes do intercâmbio com a Guiné-Bissau. A instituição já vem desde 2013 realizando trabalhos em parceria com organizações guineenses como a associação No Kultura, desenvolvendo oficinas de capacitação na área de comunicação, cultura, tecnologia e turismo de base comunitária com crianças, jovens e adultos da Ilha de Bubaque, bem como realizando pesquisas acerca da ancestralidade africana e guineense no Brasil através da gastronomia, religiosidade, idioma e outros aspectos peculiares em comum aos países.


Através dos registros audiovisuais e do Djumbai (roda de conversa) o Coletivo compartilha um pouco do que foi vivenciado nesse um mês de experiência entre maio e junho e também na primeira edição no ano de 2013, as oficinas, as apresentações, o convívio, as relações, os saberes e fazeres do povo guineense exibindo entrevistas, fotografias, músicas, peças e artefatos religiosos e artesanatos. Pratos tradicionais guineenses como o arroz com combé e mango cozida, ao lado do prato afrobrasileiro Mancundé D'Oiá compuseram o cardápio para degustação, acompanhado dos sumos de cabaceira, veludo, furoba, onjo e do drink karulanche.




A programação também foi abrilhantada com um desfile de roupas e adereços guineenses e afro brasileiros que agora compõem o bazar Afro Brasil e estão disponíveis para venda. São tecidos, conjuntos femininos e masculinos, saias, calças, blazers, trajes tradicionais como sabadouros em uma grande diversidade de estampas africanas. Parte da coleção é produção do alfaiate Tino da Ilha de Bubaque, um grande parceiro desde a primeira edição do intercâmbio.
 

O Canjerê Cultural Ajeum Ajeumbó contribuiu para a difusão de um contra discurso sobre a África que é mostrada pelos veículos convencionais de comunicação: mizerável, desunida e enfraquecida, e trouxe à tona um pouco da realidade de um país irmão, acolhedor e com imenso potencial de desenvolvimento, de uma juventude capaz de vencer as dificuldades impostas pelo reflexo da colonização portuguesa que até 40 anos atrás ainda vigorava, para mudar o os rumos dessa história através da educação, cultura, autonomia e mais oportunidades. Citamos o movimento de rap Criminal Shottas, o grupo Nova Geração (Ilha de Soga), o Mini Bantaba, a associação No Kultura, Jovens Feministas de Bubaque (JOFESB), The Flyers Family, os Netos de Bandin entre outros grupos e movimentos atuantes em todo país.


A Guiné-Bissau pede o apoio moral do Brasil, pelos milhares de jovens que foram escravizados, a criar uma ponte permanente de colaboração e parceria para fortalecimento mútuo do povo africano e afro-brasileiro principalmente nas áreas de agricultura, meio ambiente, esporte, educação e turismo como mecanismos de empoderamento e desenvolvimento sustentável. A Casa do Boneco através de redes regionais e nacionais como a Rede Mocambos, a Teia de Agroecologia dos Povos, o IF Baiano e outras entidades parceiras do movimento social brasileiro se propõem a ser tijolos nessa ponte!

 

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