terça-feira, 16 de setembro de 2014

Oficina de Cinema in MOV, com Camila Mota


A oficina Cinema in MOV, visa desenvolver com crianças e adolescentes micronarrativas feitas com câmera de celular, e que de maneira geral falem sobre o ambiente em que vivem e ao qual pertence, mostrando de forma documental ou ficcional os seus sonhos e seus desejos, uma oficina que visa e busca a inclusão social.
Camila Mota é produtora audiovisual, Bacharela em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Finalizou a pesquisa: Redenção (1959) um estudo sobre seu processo de restauro. Foi bolsista Pibex durante dois anos da faculdade, no projeto Cine Cachoeira, revista Cinematográfica da UFRB. Nos dias atuais é coordenadora e oficineira no projeto CINEMA IN MOV, e desenvolve a pesquisa: Quintas Dancehall: um movimento cultural da 3ª diáspora em Salvador.

Vem pedagogingar com a gente!


Pedagogingas e o Caruru de Ibeji... “ancrestraliza nossa forma de aprender!”





A história da Casa do Boneco é um caminho em construção. Caminho de aprendizagem. São quase 3 décadas de trabalho, a sensação é apenas de começo, mas algumas coisas já foram aprendidas, reapropriadas. Nada de graça. Ginga e muita raça. Raça – raiz – sankofa. Não queira medir o grau de melanina. Inútil. No atual sistema, quanto mais escuro, mais invisível. O branco não é apenas visível, é amado, defendido, honrado, privilegiado. Se você tem pena de uma torcedora gremista, eu não sinto muito, mas você deveria medir o grau de sua miopia.


Hoje, eu e Uil, um menino negro de 5 anos, meu filho, cruzamos com um jovem negro, andando na quebrada, na mandinga, com uma caixinha de som ao lado. Sabotagem no play. “Mãe, é essa a música boa, né?”. Mediante as sonoridades sobressalentes daqui da perifa, entre as dezenas de igrejas evangélicas, as sirenes de ambulâncias e viaturas mais os desastres musicais sexistas e machistas, todas as vezes que eu passo e vejo um  guri ouvindo rap, meu coração sorri de esperança. Zumbi está presente.



 



A educação formal, a mídia dominante, a sociedade conservadora reforçam e reproduzem o racismo. Quais as saídas de uma perspectiva para nossas crianças, senão a nossa própria vida se convertendo na militância urgente de nossas dores e de nossa festa?






Pedagoginga é o rap tocando pra gurizada aprender a se defender... é o tambor batucando para aprender a rezar... é folha para curar... é boneco encenando pra pretinha aprender a se enxergar, é a trança e a dança, é a dança da trança de aprender a se amar! Caruru é Pedagoginga!







As pedagogingas são o avesso da frustrada década da lei 10. 639, que vai fazer 11 anos de idade e daqui a pouco já vira uma adolescente inútil! A nossa escola é o terreiro daqui sob o teto das mangueiras. Nossos doutores, os griôs. O nosso canudo é a biriba. Subversão. Então ginga, por que nem a urna, nem o Estado responde nossa urgência. E eu não estou falando de carência. Você sabe o que é consciência? E eu não estou falando de esmolas. Você sabe o que é genocídio?







A Casa do Boneco quilombizou sua forma de aprender e as Pedagogingas concentram um jeito comunitário de ofertar o melhor de nossa existência, de nossas ciências, artes e mandingas.
Então fila aula, adianta o trampo, dá aquele zignal... Vem gingar a vida aqui na Casa por que o dia das crianças é em setembro, tem nome de Ibeji, é começo de primavera e tem fartura de alimento,caruru, doce, incenso, colorido!

Vem com a gurizada passar a semana de 23 a 28 de setembro por que o tempo da infância, é irrecuperável! Por que a nossa vida é irrecuperável! E por que temos que fazer Palmares de novo!









Axé,
Say Adinkra, mas meu nome também pode ser Jorge Rasta, Dania Jeje, Glauber Elias, Hugo Xoroquê, Nana Queiroz, Nego Jorge, Gominho, Thiago, Orunmilá, Lori Mafoane, Juscely Magalhães, Preta Ashanti, Beatriz Odara, Bianca, Nátali Mendes, ou simplesmente Uil Xapanã!. Escolha qualquer nome  para essa autoria. Ubuntu. É tudo nosso!




Oficina de Literatura Infantil com Larissa Pereira

''Era uma vez...a minha história.''

A oficina trará para o XIII Caruru de Ibeji e as Pedagogingas a discussão acerca das representações africanas e afro-brasileira na literatura infanto-juvenil/infantil. A vivência do tema se dará por meio da leitura e análise de textos literários que circulam no cenário escolar mediante processos de identificação e problematização de construções identitárias recorrentes nos textos voltados para o segmento infanto-juvenil/infantil.

Larissa Pereira é professora e atua na Rede Estadual e Municipal de ensino (Itabuna) como técnica em Educação para as Relações Étnico-raciais. Também é coordenadora do ‘‘Coletivo A Coisa Tá Ficando Preta’’, grupo voltado à reflexão sobre as imagens da população negra através da linguagem publicitária e educacional.

Tem educação, tem ancestralidade, tem afroetinicidade, tem revolução... tem pedagoginga. 

Vem pra cá e traz seus erês!