quarta-feira, 9 de abril de 2014

Cortejo dos Bonecos Gigantes - Carnaval 2014

As festividades do carnaval tanto em âmbito nacional quanto local tem se tornado cada vez mais comercial onde os holofotes estão voltados para grandes bandas musicais (inclusive muitas delas com mensagens machistas que oprimem mulheres, incitam violência sexual, expõem a sexualidade sem meios termos, entre outras coisas) e as manifestações culturais mais tradicionais que são as raízes do que chamamos de ‘’brincar carnaval’’ estão sendo recanteadas devido à falta de estímulo de diversos setores da sociedade. Tal falta de estímulo resulta no desinteresse da própria população, principalmente do público mais jovem que acaba consumindo somente aquilo que a mídia hegemônica lhe oferece sem uma perspectiva crítica, até mesmo por falta de acesso à outras vertentes musicais, e de expressão cultural como um todo.
É nessa perspectiva de manutenção das expressões culturais que remontam e mantém viva a nossa história que a Casa do Boneco de Itacaré em parceria com a Cia. De Teatro de Bonecos Mãos (Itaberaba-BA) e do Núcleo de Bonecos Arte e Expressão (Piritiba-BA), como um precedente de criação da Rede de Teatro de Bonecos da Bahia, trouxeram para o carnaval de Itacaré em 2014 o ‘’Afoxé dos Bonecos’’ que fez a alegria dos foliões levando a público a nossa ideia do que é um carnaval que preserva suas tradições e preza por uma construção onde os jovens sejam atuantes e protagonistas de suas histórias através da arte.
As atividades aconteceram durante toda a semana do carnaval com oficinas de construção de bonecos gigantes ministradas pelos bonequeiros com seus grupos que totalizavam cerca de 15 jovens, e outras oficinas de artesanato e percussão oferecidas pelos integrantes da Casa do Boneco de Itacaré. Foram dias de muitas trocas de saberes e aprendizados que resultaram no lindo cortejo nas ruas da cidade no domingo e na terça de carnaval, com 15 bonecos gigantes, ala de baianas e percussão. Confira algumas imagens dessa belíssima atividade:























Carta da II Jornada de Agroecologia da Bahia

Os povos do campo e da cidade, reunidos na 2° Jornada de Agroecologia da Bahia, no Assentamento Terra Vista, em Arataca, Território Litoral Sul, entre os dias 12 e 15 de dezembro de 2013, uniram povos e saberes para a defesa irrestrita da agroecologia enquanto um modo de vida e um instrumento para conquistar a soberania de nossos territórios.
Lamentamos o não reconhecimento e apoio digno do Estado Brasileiro para com a agroecologia e com a luta de nossos povos, cuja vida perpassa permanente criminalização, risco e extermínio. O Estado Brasileiro sustenta uma estrutura baseada na exclusão social, quando este financia e apóia o êxodo rural, fomentando pobreza e violência para servir aos interesses do capital, o que distorce seu papel de proteção e garantia de dignidade de seus povos.
O sistema de produção do campo imposto pelo capitalismo, o agronegócio, nos violenta a cada dia. Acumula um histórico de extermínio cultural e territorial, se apropriando de nossos saberes, de nossa ciência e de nossa cultura para fins de dominação, seja transformando tudo em produtos para a indústria e o mercado, seja ridicularizando e espetacularizando a nossa diversidade.
A 2° Jornada é resultante da consolidação da Teia de Agroecologia dos Povos da Cabruca e da Mata Atlântica, formada na 1° Jornada em 2012, para atuar de forma permanente enquanto uma rede que reconstrói a solidariedade entre os povos negros, indígenas, assentados, juventude e crianças e dá um sentido mais amplo à agroecologia, tão distorcida pelo excesso de academicismo, teoricismos e tão pouca prática.
Nós, da Teia, rompemos o tecnicismo perigoso para defender uma agroecologia que une os povos e saberes para garantir saúde para nossos alimentos, solos e águas, saúde para as nossa relações sociais, para nossa identidade cultural, espiritualidade e ancestralidade.
Estamos construindo uma forma de organização entre os povos que busca autonomia política e financeira, através das ações de fortalecimento das experiências agroecológicas em cada território que compõe a Teia, na busca de autogestão e do autofinanciamento. Estamos trabalhando para atuar adequadamente levando em consideração as especificidades de nossas crianças, jovens, homens, mulheres e idosos. Mas não teremos como conquistar essa saúde e autonomia, que representa na verdade novas formas de vida, política e militância, sem garantir nossos territórios e a vida de nosso povo e nossas lideranças.
A agroecologia então, é também uma forma de enfrentamento desse sistema e a Teia se propõe a ter ações solidárias diretas de defesa de nossos povos. Assim, nossa luta segue o caminho irrestrito de defesa da garantia da terra e por uma soberania dos povos que sabemos que só pode ser feita a partir de nosso suor.
Nossa Jornada e nossa Teia renova nossas utopias e nosso poder de seguir: “Nada do povo, para o povo, acima do povo, sem o povo!”
Arataca, Bahia, 15 de dezembro de 2013.

Confira fotos e mais detalhes nos seguintes links:

https://www.facebook.com/media/set/?set=a.488310427950860.1073741829.298421746939730&type=1 

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http://jornadadeagroecologiadabahia.blogspot.com.br/search/label/II%20Jornada%20de%20Agroecologia

http://jornadadeagroecologiadabahia.blogspot.com.br/search/label/Gaia



Conexão Baobá Bahia Guiné

Em Novembro de 2013 a Casa do Boneco de Itacaré ( CBI ) - Núcleo de Formação Continuada da Rede Mocambos, realizou sua 3ª atividade internacional, desta vez foi a realização do sonho de todo afro descendente: "Caminho de volta ao continente Mãe".
O projeto Conexão Baobá Bahia-Guiné, ano de 2013, foi proposto com vistas à realização de intercâmbio e troca de experiências entre grupo de articuladoras político-sociais da Rede Mocambos, Brasil, com comunidades em Guiné Bissau que realizem práticas e projetos em comunicação livre, comunitária e popular (rádios e outras mídias). Especialmente nas comunidades ligadas à Asociación Solidaria Andaluza de Desarrollo (ASAD), nossa anfitriã institucional, que conhecemos desde conexões a partir do Fórum Social Mundial da Amazônia em 2009 e que se mostra sensível e aberta à parcerias. A ASAD (Granada – Espanha) é atuante no panorama de Desenvolvimento e Direitos Humanos internacionalmente, há anos apoia comunidades populares e comunicação autônoma em diversos países, inclusive Guiné-Bissau.
Foram cerca de 30 de dias de intensas trocas de experiências, dentre elas: oficina de dança e percussão afro brasileira, estética afro brasileira e guineense, rodas de conversas ( djumbai ), oficina de construção de blogs, oficina de confecção de bonecos de papel machê e mascaras de papietar e debates durante a Jornada Pelos Direitos Humanos.
Um dos pontos positivos desta experiência foi a consolidação da parceria entre a  CBI, o Centro Cultural do Brasil em Guiné - Bissau e a Associação Nô Kultura ( Arquipélago Bolama-Bijagós ) com intuito de desenvolver mutuamente as contribuições ancestrais e culturais, tecnológicos e artísticos, em aspectos como a Língua Portuguesa e Guineense, utilizando instrumentos como a comunicação social e comunitária.


Confiram maiores detalhes sobre esta maravilhosa experiência no seguinte endereço: http://caminhodevolta.blogspot.com.br/

























Confira mais fotos em: https://www.flickr.com/photos/103371947@N03/sets/72157638122199855/

https://www.flickr.com/photos/103371947@N03/sets/72157638289407143/

https://www.flickr.com/photos/103371947@N03/sets/72157640146077015/

https://www.flickr.com/photos/103371947@N03/sets/72157638734403134/

https://www.facebook.com/dani.n.jeje/media_set?set=a.10200989430719470.1246517300&type=3