sábado, 13 de novembro de 2010

Encontro Norte Nordeste da Rede Mocambos e III Encontro Quilombola do Sul da Bahia - Carta de Agradecimentos

O Nosso encontro enfim se consolidou! A Custo de muito suor e determinação, como toda a luta que o povo preto assume! O evento nos fez mais fortes, mais capazes e mais maduros! Apesar dos diversos contratempos, o evento foi o melhor que poderia ser, com toda garra e toda a solidariedade que as pessoas aqui reunidas ofertaram! Podemos dizer hoje que somos capazes de seguir em frente na direção da construção política que o evento fortaleceu e de construir mais além do que está pautado em nossos relatórios.

A memória do encontro ainda está sendo organizada, mas pode já ser acompanhada pelos vídeos: http://www.youtube.com/watch?v=aodjFvZ8QD8

....Pelas sistematizações: http://wiki.mocambos.net/Rodas_de_Saber

....Pelas fotos: http://casadoboneco.blogspot.com/2010/09/encontro-norte-nordeste-da-rede.html

Em breve todo esse conteúdo estará reunido e organizado no portal da Mocambos www.mocambos.net e estará sendo impresso e distribuído.

O Núcleo de Formação Continuada da Rede Mocambos no Sul da Bahia, representado pelos quilombos de Itacaré e Maraú, Terreiro de Matamba Tombenci Neto de Ilhéus e Casa do Boneco de Itacaré deseja por fim profundamente agradecer:

- Aos Orixás e ancestrais pela sustentação e fortalecimento em vencer todas as barreiras que estiveram em nosso caminho....

- À experiencia da construção desse evento de forma colaborativa durante 7 meses como Rede Mocambos

- Ao apoio de cada entidade e de cada membro local ou em diversos pontos do país no exercício de construir coletivamente, desde o mais pequenino gesto ou vibração positiva, às ações maiores seja do ponto de vista da sua complexidade de resolução ou no nível físico.

- Aos patrocinadores, que em sua maioria, além de apoiar,se fizeram presentes em nosso evento colaborando com o fortalecimento de nossas parcerias e de nossa proposta política: Ministério da Cultura, SEPPIR, Ministério das Comunicações (GESAC), Ministério do Desenvolvimento Agrário, Embratel, D-LINK, SECTI, CAR, Ministério da Saúde, Fundação Cultural Palmares, Banco do Nordeste, Instituto Floresta Viva, Café Paquetá, Ceplac, Emarc, Ebda, Secretaria de Agricultura de Itacaré, Center Supermercado, Padaria São Miguel, Distribuidora Ze Dias, Piracanga Eco Vila, Zé da Farmácia.

- Ao projeto de Educação e Multiculturalismo da UESC, Ronaldo Rodrigues, Equipe da Tenda Comunica, Andréia Saraiva, Casa Tainã, Rede Tucum, Bloco Dilazenze, Fanfarra de Itacaré, Comite de Mulheres do Território Litoral Sul

- Nosso agradecimento às pessoas que muito contribuíram e não puderam se fazer presentes em nosso evento: Paula Balduíno e Ronaldo Eli.

- Agradecimento especial ao jovens guerreiros da Casa do Boneco e a seu mentor Jorge Rasta, que enfrentaram imensa carga de trabalho em função de alguns imprevistos orçamentários que custaram o sacrifício de não participarem da programação do encontro, para dar conta de uma infra estrutura que precisou ser improvisada, mas que não deixou a desejar e deu conta do recado com um axé a mais de satisfação pela derrota e desistência nunca serem uma opção de nossa militância!

Poder Para o Povo Preto, construindo agora e sempre um Mundo Mais do Nosso Jeito! Salve a Rota dos Baobás! Salve os Nossos Mestres! Salve nossos Ancestrais e orixás!

Manifesto do III Encontro Norte/Nordeste da Rede Mocambos contra a ADIN nº 3239 que ataca os direitos dos quilombolas

Em 20 de novembro de 1695 o maior líder do povo negro no Brasil foi assassinado no território que muitos negros escolheram e mantiveram por quase um século com o intuito de viver longe da lógica racista que impregnou a alma da nossa sociedade com a colonização portuguesa. Foi quando Zumbi e o Quilombo de Palmares sumiram da terra e estariam mortos para a história se não fosse a resistência negra que insiste em lembrar ao Brasil de que a riqueza que a atual elite branca herdou não seria possível sem a exploração do trabalho africano neste solo.

Passados mais de 500 anos de história oficial os/as quilombolas de hoje estão ameaçados/as de perderem seus territórios, onde vivem há séculos fora da lógica capitalista e ameaçados/as de morte pela elite branca latifundiária deste país.

Atualmente as comunidades quilombolas pouco podem fazer para se defenderem levando em conta a estrutura do Estado que persiste em reproduzir o racismo institucional; o Incra não consegue titular e nem garantir a integridade dos territórios quilombolas. Por tudo isso líderes quilombolas são ameaçados de morte quando exigem paras suas comunidades o que lhes é de direito.

A injustiça mais uma vez mostra sua face, agora, pela ADIN(Ação Direta de Inconstitucionalidade) nº 3239 de 2004 encaminhada pelo então deputado Valdir Colatto – à época no partido PFL, agora chamado de Democratas, e atualmente filiado ao PMDB(SC), em que pretende interferir no processo de reconhecimento dos quilombos, tirando-lhes o direito de dizer quem são e de onde vem. Esta é mais uma prova do racismo que ainda impera no Brasil e que a sociedade brasileira não pode fechar os olhos para isso sob pena de recusar a existência de uma democracia verdadeira.

A Rede Mocambos – uma rede de articulação em torno dos direitos quilombolas e da democratização da informação no combate à exploração e discriminação contra os povos não-brancos - repudia a ADIN nº 3239 do deputado Valdir Colatto.

Esperamos que o Estado brasileiro se dê conta da atrocidade que esta ação representa para a suposta democracia racial brasileira que muitos dizem existir.

Se a ADIN 3239 for aceita pelo STF, os títulos expedidos que garantem o direito judicial aos territórios por parte dos/as quilombolas poderão tornar-se sem efeito. E os critérios de reconhecimento das comunidades de quilombo alterarão de forma a delegar a terceiros o direito de dizer quem são os quilombolas. Estará dada a mensagem a todo povo brasileiro de que o Estado trabalha contra os direitos do povo negro seja apelo esquecimento do poder executivo, a negligência do poder legislativo e a ação parcial do poder judiciário.

A Rede Mocambos e o povo de matriz afroindígena esperam também do governo Dilma Rousseff a atenção que o povo negro e indígena merecem porque estes povos TAMBÉM VOTAM e votaram pela continuidade da redução das desigualdades esperando que o Brasil não cresça sem levar os indígenas, os negros e negras brasileiras para longe do futuro que tanto almeja.

O Estado brasileiro não pode retroagir em relação aos direitos das comunidades quilombolas e deve cumprir com seu dever de combater as desigualdades sociais que tanto afligem nosso povo criando um abismo racial entre brancos e não-brancos.

ABAIXO O LATIFÚNDIO!

ABAIXO A BANCADA RURALISTA!

ABAIXO O RACISMO QUE TIRA OS DIREITO DOS/AS/ QUILOMBOLAS!

POR UM MUNDO MAIS JUSTO E MAIS DO NOSSO JEITO!


Itacaré, Bahia, 06 de novembro de 2010