terça-feira, 18 de agosto de 2009

Você conhece a Rede Mocambos????

A Rede Mocambos é uma articulação de comunicação afro indígena nacional para fortaleciemnto das comunidades e grupos, revisão afro política e empoderamento dos seus membros, tem um foco importante em tecnologia afro digital.

Nós somos Rede Mocambos e queremos te dizer:

- Conheça!
- Participe da lista!
- Participe da rede!
- Revolucione conceitos, práticas, pensamentos!

www.mocambos.net

Uma Rede de Comunicação Social

Baobab no Crepuscolo

É uma rede de comunidades quilombolas, indígenas, urbanas, rurais, associações da sociedade civil, pontos de cultura, oriundos de norte ao sul do país, conectados através das tecnologias da informação e comunicação. Para isso buscamos parcerias de diversos segmentos para que de forma colaborativa e coletiva possamos reunir diferentes programas, projetos e ações voltados para o desenvolvimento humano, social, econômico, cultural, ambiental e preservação do patrimônio histórico-memória dessas comunidades.

É uma rede solidária de comunidades, no qual o objetivo principal é compartilhar idéias e oferecer apoio recíproco. Os eixos principais que a Rede enxerga são a identidade cultural, o desenvolvimento local, apropriação tecnológica e a inclusão social. A idéia da Rede nasceu em quilombos, em particular em um quilombo urbano, a Casa de Cultura Tainã.

A identidade quilombola é uma raiz da historia do nosso povo e do nosso país, pois desde a época do Brasil Colonia contribuiu efetivamente para o crescimento econômico e social do nosso pais, mas foram sumariamente excluídos, e em sua maioria ainda são, da divisão da riqueza gerada por esse crescimento, como acesso a políticas públicas e direitos legais a propriedade das terras que são ocupadas por elas a diversas gerações. Portanto precisamos garantir as comunidades condições para se desenvolverem, tendo em conta a enorme divida histórica que o nosso pais ainda tem com elas, lembrando que são as comunidades que devem ter a liberdade de escolher o tipo de desenvolvimento que querem.

A tecnologia é uma frente de trabalho da Rede Mocambos, sendo ao mesmo tempo idéia e meio para transferir idéias. Isto é possível somente com uma real apropriação das técnicas e das lógicas, sem ser usuários passivos de algo já pronto, e que por si mesmo não é livre. Dentro dessa linha de pensamento consideramos que o uso e o desenvolvimento de Software Livre que já permite a criação e o compartilhamento entre nós e o mundo, através da Internet por exemplo, chegando a uma inclusão social auto-determinada nos moldes que a comunidade quer.

Querer escolher os próprios caminhos leva a Rede Mocambos a acreditar num modelo de cooperação que vê as comunidades procurarem apoio para os próprios projetos e não as ONGs e as instituições propor e implementar projetos dentro delas. Um primeiro grande apoio procuramos no Estado, que é o orgão responsável em garantir e facilitar os desenvolvimentos livres do seu povo, neste sentido procuramos apoio do governo para garantir o inclusão digital das comunidades. Um grande passo foi onde não tinha nem um orelhão, levar uma antena de acesso a internet via satelite, pelo programa GESAC do Governo Federal, ligar a luz e colocar as comunidades em comunicação na Internet.

Assim, decorre que é necessário entender a força da cultura dessas comunidades, valorizar os conhecimentos construídos em sua vivência e estimular a difusão de um olhar próprio que proponha o reconhecimento dessa cultura e direitos. Romper com a lógica da submissão a emissores de conteúdos é estratégico para que essas comunidades assumam um papel histórico de enfrentamento da informação globalizada e do sistema opressor e concentrador de riqueza e poder que restringem o desenvolvimento dessa população em nosso pais.

A REDE MOCAMBOS é um projeto da Casa de Cultura Tainã, sediada em Campinas

“Nós trabalhamos a questão da identidade cultural por meio das ferramentas tecnológicas. É muito importante para essas comunidades estarem incluídas socialmente e digitalmente. Assim, podemos ajudar a promover o desenvolvimento local” - Antonio Carlos (TC)


AGENDA QUILOMBO - Curso de Horticultura Orgânica

No dia 12 de Setembro de 2009 o Instituto Floresta Viva ministrará o I Curso de Horticultura Orgânica na Fazenda Quilombo D'oiti da Casa do Boneco, esse trabalho faz parte dos cursos que a Casa do Boneco tem promovido na implementação da fazenda, em especial do funcionamento do restaurante previsto para o final do ano.

O curso é aberto gratuitamente para a comunidade local.

As inscrições devem ser feitas na Casa do Boneco

Casa do Boneco ministra oficina de estética afro no Curso de Formação de lideranças quilombolas em Vitória da Conquista









Cantemos forte

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ilustração de Michael Thompson

Cantemos forte, levantemos um clamor pelos hutus e pelo tutis, achemos um africano em cada criança! Com microfones e pick-ups em punho, falemos alto contra o racismo, gritemos mais forte sobre nossa cultura! Mas que cultura? A prostituída, a cultura dos griots, a cultura hip-hop, a cultura Black, a cultura religiosa, a cultura branca, qual? Se não sabemos em que lado estamos, como vamos nos defender? Então, que a educação seja nosso grito de guerra, que esta possa ser grafitada em todos os muros, cantada pelo mc’s, discotecada pelos DJs, dançada pelos poppers, lockers e b.boys. Mas essa não pode ser uma educação formal, lápis e papel, mas que seja uma educação étnico racial! Cada militante e pessoa do hip-hop será um professor, um educador, resgatador da cultura de nossos bisavôs e bisavós, dentro de cada elemento encontraremos o antigo africano, não preso em grilhões e navios, mas livres, pelos rios do Congo, pelo reino de Ifé, pelos caminhos de Luanda, encontraremos bantos, Nagôs, mandingas, escondidos em cada novo artista do hip-hop, criança e adulto, homem ou mulher! Seus sorrisos serão mais brilhantes do que o sorriso de Ojun-orun, a cada movimento ou palavra dita, em novo Orixá se manifestará, independente da religião, pois o religare acontecerá!

arte por Michael Thompson

ilustração de Michael Thompson

Nos religaremos a África, através do Hip-Hop! Formaremos uma nação que conhecerá seu passado e terá condição de planejar melhor seu futuro. Os punhos pro alto não serão mais protestos e sim, símbolos de uma nova geração. Herdeiros de uma história que estamos escrevendo, frutos de uma história que escreveram de nós, quando Luis Gama venceu os obstáculos e rompeu a escravidão mental! Então, irmãos, preparemos nossos artefatos, nosso palanque será nas favelas, lugar de concentração do povo preto atual! E de lá, nos expandiremos e tomaremos os centros, nosso por herança, seremos vistos e não apenas tolerados! E dentre nós, nascerá um novo Zumbi dos palmares, surgirá, se levantará, subirá ao palco, dará um ok ao DJ pra soltar a base, tomará o microfone, e neste momento, os b.boys pararão, os Sprays ficarão sem utilidade. Todos olharão pra ele e, num canto uníssono, parafraseará grandes poetas, mas sua fala será original e verdadeira; “Agora sim. Enfim, Livres!”

Israel Neto (Réu): MC, Educador, Mobilizador Cultural e social. Trabalha há 3 anos na promoção e divulgação da lei 10.639/03, junto com o coletivo cultural Literatura Suburbana, no qual é coordenador. Nas horas vagas dos shows e aulas, exerce o trabalho de poeta da periféria, sempre unificando a literatura periférica, o hip-hop e a cultura afro! Estudante dos movimentos culturais e sociais, fácil de encontrar nas ruas e ong’s da Brasilândia e adjacências!

Michael Thompson (freestylee): Designer jamaicano, que vive atualmente em Easton, Pensilvânia nos Estados Unidos. Desenvolve projetos gráficos, principalmete posters com temas políticos como panafricanismo, contra as guerras, pela preservação do meio ambiente, contra o racismo e o preconceito



A rainha Jinga – África central, século XVII

Rainha Jinga

Rainha Jinga

Por Marina de Mello e Souza

Uma das personagens mais conhecidas da história centro-africana é a chefe de Matamba chamada pela crônica portuguesa e missionária de rainha Jinga. Nascida em torno de 1580, na chefatura do Ndongo, filha do principal chefe da região, que tinha o título de ngola a kiluanje, morreu em 1663, depois de uma longa vida ocupada em grande parte em guerrear com os portugueses. Estes haviam se instalado na ilha de Luanda e em algumas fortalezas ao longo do rio Cuanza a partir de 1571, quando Paulo Dias de Novaes chegou para ocupar a donataria que D. Sebastião havia lhe atribuído. A ilha de Luanda e as terras vizinhas eram freqüentadas pelos portugueses sediados em São Tomé, desde meados do século XVI, e por essa época os povos que ali viviam começavam a se tornar mais independentes do domínio exercido pelo mani Congo, chefe do estado mais poderoso da região e aliado dos portugueses desde o final do século XV.

Quando os portugueses chegaram para se instalar no Ndongo, este era chefiado por um irmão de Jinga, que resistiu às tentativas de ocupação de suas terras, seja pela guerra, seja pela imposição de tratados de vassalagem. A região era habitada por povos ambundos, agricultores e organizados em torno de linhagens, que foram duramente combatidos pelos portugueses, aliados aos imbangalas, povos guerreiros vindos do interior e do sul, que àquela altura perambulavam pela costa. Diante da superioridade militar dos portugueses fortalecidos pelos exércitos imbangalas, os ambundos cederam importantes porções dos territórios que até então ocupavam.

fonte: http://www.africaemnos.com.br/wordpress/

Somos racistas

13/08/2009 20:01:32

Por Leandro Fortes
Fonte: Carta Capital

Enquanto interessava às elites brasileiras que a negrada se esfolasse nos canaviais e, tempos depois, fosse relegada ao elevador de serviço, o conceito de raça era, por assim dizer, claríssimo no Brasil. Tudo que era ruim, cafona, sujo ou desbocado era “coisa de preto”. Nos anos 1970 e 1980, na Bahia, quando eu era menino grande, as mulheres negras só entravam nos clubes sociais de Salvador caso se sujeitassem a usar uniforme de babá. Duvido que isso tenha mudado muito por lá. Na cidade mais negra do país, na faculdade onde me formei, pública e federal, era possível contar a quantidade de estudantes e professores negros na palma de uma única mão.

Pois bem, bastou o governo Lula arriscar-se numa política de ações afirmativas para a high society tupiniquim berrar para o mundo que no Brasil não há racismo, a escrever que não somos racistas. Pior: a dizer que no Brasil, na verdade, não há negros.

Antes de continuar, é preciso dizer que muita gente boa, e de boa fé, acha que cota de negros nas universidades é um equívoco político e uma disfunção de política pública de inserção social. O melhor seria, dizem, que as cotas fossem para pobres de todas as raças. Bom, primeiro vamos combinar o seguinte: isso é uma falácia que os de boa fé replicam baseados num raciocínio perigosamente simplista. Na outra ponta, é um discurso adotado por quem tem vergonha de ter o próprio racismo exposto e colocado em discussão. Ninguém vê isso escrito em lugar nenhum, mas duvido que não tenha ouvido falar - no trabalho, na rua, em casa ou em mesas de bares - da tese do perigo do rebaixamento do nível acadêmico por conta da presença dos negros nos redutos antes destinados quase que exclusivamente aos brancos da classe média para cima – paradoxalmente, os bancos das universidades públicas.

Há duas razões essenciais que me fazem apoiar, sem restrições, as cotas exclusivamente para negros. A primeira delas, e mais simples de ser defendida, é a de que há um resgate histórico, sim, a ser feito em relação aos quatro milhões de negros escravizados no Brasil, entre os séculos XVI e XIX , e seus descendentes. A escravidão gerou um trauma social jamais sequer tocado pelo poder público, até que veio essa decisão, do governo do PT, de lançar mão de ações afirmativas relacionadas à questão racial brasileira – que existe e é seríssima. Essa preocupação tardia das elites e dos “formadores de opinião” (que não formam nada, muito menos opinião) com os pobres, justamente quando são os negros a entrar nas faculdades (e lá estão a tirar boas notas) é mais um traço da boçalidade com a qual os crimes sociais são minimizados pela hipocrisia nativa. Até porque há um outro programa de inserção universitária, o Prouni, que cumpre rigorosamente essa função. O que incomoda a essa gente não é a questão da pobreza, mas da negritude. Há contra os negros brasileiros um preconceito social, econômico, político e estético nunca superado. O sistema de cotas foi a primeira ação do Estado a enfrentar, de fato, essa situação. Por isso incomoda tanto.

A segunda razão que me leva a apoiar o sistema de cotas raciais é vinculado diretamente à nossa realidade política, cínica, nepotista e fisiológica. Caso consigam transformar a cota racial em cota “para pobres”, as transações eleitoreiras realizadas em torno dos bens públicos irão ganhar um novo componente. Porque, como se sabe, para fazer parte do sistema, é preciso se reconhecer como negro. É preciso dizer, na cara da autoridade: eu sou negro. Alguém consegue imaginar esses filhinhos de papai da caricata aristocracia nacional, mesmo os mulatinhos disfarçados, assumindo o papel de negro, formalmente? Nunca. Preferem a morte. Mas se a cota for para “pobres”, vai ter muito vagabundo botando roupa velha para se matricular. Basta fraudar o sistema burocrático e encher as faculdades públicas de falsos pobrezinhos. Ou de pobrezinhos de verdade, mas selecionados nas fileiras de cabos eleitorais. Ou pobrezinhos apadrinhados por reitores. Pobrezinhos brancos, de preferência.

Só um idiota não percebe a diferença entre ser pobre branco e pobre negro no Brasil. Ou como os negros são pressionados e adotam um discurso branco, assim que assumem melhores posições na escala social. Lembro do jogador Ronaldo, dito “Fenômeno”, ao comentar sobre as reações racistas das torcidas nos estádios europeus. Questionado sobre o tema, saiu-se com essa: “Eu, que sou branco, sofro com tamanha ignorância”. Fosse um perna-de-pau e tivesse que estudar, tenho dúvidas se essa seria a impressão que Ronaldo teria da própria cor, embora seja fácil compreender os fundamentos de tal raciocínio em um país onde o negro não se vê como elemento positivo, seja na televisão, seja na publicidade – muito menos nas universidades.

O fato é que somos um país cheio de racistas. Até eu, que sou branco, sou capaz de perceber.