quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Destaque 4ª Geração da Casa do Boneco

Esses meninos aí... os menores...





...metade deles são da nova geração da Casa, estreando pela primeira vez no Show Afro Tropical em 03/09/08, no Mês de Cosme e Damião, a euforia foi muito grande!

Às novas sementes da Casa, nosso afeto e nosso respeito!

Muito axé pra essa meninada!







Tamo na luta!!!

Negra Dani e Negro Jorge marcando presença no TEATRO DO OPRIMIDO DE PONTO A PONTO

Aconteceu em Salvador na última semana do mês de Agosto, no sindicato dos bancários, o curso I do projeto Teatro do Oprimido de Ponto a Ponto.


O curso teve a participação de 45 pessoas, dentre eles educadores, lideranças comunitárias,agentes de participação popular,militantes do MST, agentes penitenciários, profissionais de saúde e saúde mental e ativistas culturais, tendo como curingas (facilitadores) Geo Britto e Olivar Bendelak.

Com o intuito de formar multiplicadores através de métodos que reúnem jogos, exercícios e técnicas teatrais que objetivam a desmecanização física e intelectual de seus participantes e a democratização do teatro.


Entre as técnicas de TO a mais conhecida e praticada em todo o mundo é o teatro – fórum ( espetáculo baseado em fatos reais no qual personagens oprimidas e opressoras entram em conflito de forma objetiva na defesa de seus desejos e interesses).


Durante o curso foram selecionadas duas histórias: uma que falava sobre a forma que negros, rastas e pobres são abordados por policiais que utilizam do poder da farda para oprimir o povo que não é diferente deles, a segunda relatava a opressão masculina sobre a mulher e a posição dos filhos diante a essa realidade dolorosa.


Ao final do curso nossas expectativas de como seria a aceitação do público foram elevadas, pois recebemos a visita de muitas pessoas para assistirem as peças o que contribuiu muito com a nossa auto-estima.



Voltando à Casa do Boneco de Itacaré estamos nos preparando para passar essa experiência,espalhar nossas sementes e fazer a diferença.


Dani Negra Jêje

Preta Iaiá

Falar desse passado é reviver

momentos não se apagam

é sofrer

cicatrizes

ferida

dor

são sequelas que deixaram o opressor

É relatar

é falar de uma vida

de violências

situações vividas

de ser dominada de ser renegada

quantas vezes me senti mutilada


agora é diferentes o jogo mudou

mulher preta aqui estou

cara a cara com esse opressor

que marcou, abusou, e dominou


Hoje já não vivo essa situação

venho construindo minha emancipação

você bloqueou, tirou minha visão

eu não achava

buscava informação

já não vejo mais solução

denunciar um mar de agressão

delegacia

falha
omissão

Sempre me via meio indiferente

várias coisas confundia minha mente

por que as vezes eu era indiferente

não encarava as coisas de frente


Dia a dia sempre esse tormento

não via mais outros momentos

mesmo reflexo

mesmo pensamento

junto com passado vem o sofrimento


Mas agora tudo mudou

foi voce quem marcou

vascilou

opressor!

mulher preta se rebelou


Mulher preta chegou e não calou

lutou no levante dominou

mulher preta história que marcou

a guerreira cobrando o opressor



Imagens e palavras de um encontro de mulheres negras que abalou as estruturas da Casa do Boneco. Saravá Gil Nagô